Instituto de Perícias Científicas

Nota Técnica: o DNA dos pais e a identificação de pessoas desaparecidas

Em Santa Catarina, o DNA doado pelos pais na mobilização nacional permitiu identificar restos mortais guardados havia três anos no banco de perfis genéticos. Como funciona a comparação por parentesco e por que a amostra da família faz diferença.

A Polícia Científica de Santa Catarina identificou os restos mortais de um homem que estava desaparecido desde setembro de 2023. A identificação só foi possível depois que os pais dele doaram amostras de DNA, em 28/08/2026, durante a Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. O laudo que confirmou a identidade foi emitido em 09/10/2026, e o caso foi divulgado no início de novembro.

O que aconteceu

  • O corpo foi encontrado em outubro de 2023, cerca de um mês depois do desaparecimento, já em estado avançado de decomposição. Na época, a perícia não conseguiu identificar a pessoa.
  • Mesmo sem identificação, os peritos obtiveram o perfil genético dos restos mortais e o guardaram no Banco de Perfis Genéticos de Santa Catarina, à espera de uma comparação.
  • Durante quase três anos, o banco não encontrou correspondência. Faltava uma amostra de referência da família para comparar.
  • Com o DNA dos pais, a comparação foi feita e a identidade foi confirmada em pouco mais de um mês.

O que significa na prática

Do DNA usado na identificação, cada pessoa herda metade da mãe e metade do pai. Por isso, quando não existe uma amostra da própria pessoa (uma escova de dentes, um exame antigo), os parentes de primeiro grau servem de referência: o perito verifica se o perfil dos restos mortais é compatível com o de um filho daquele casal. Com o pai e a mãe juntos, a conclusão fica mais forte do que com um parente só.

O caso também mostra dois pontos que valem para qualquer família de pessoa desaparecida:

  • O perfil genético guardado não se perde. Os restos mortais sem identificação podem ter o DNA registrado e comparado anos depois.
  • Sem a amostra da família, o banco não tem com o que comparar. Quem tem um parente desaparecido pode procurar a delegacia e a perícia oficial do seu estado para registrar o caso e doar a amostra de referência.

Onde a perícia entra

Na busca de pessoas desaparecidas, quem faz a coleta e a comparação é a perícia oficial do estado, ligada ao banco de perfis genéticos. É o caminho certo para a família.

A mesma lógica de comparação por parentesco aparece em processos de família e de herança, que é onde o IPC atua. Quando o suposto pai já faleceu, o vínculo pode ser verificado com os avós, irmãos ou tios (a chamada reconstrução). Quando não há parentes vivos que possam doar, o DNA pode ser extraído dos restos mortais, com autorização judicial para a exumação. Nos dois casos, o resultado depende do material disponível e dos parentes que participam, e a cadeia de custódia precisa ser documentada do começo ao fim.

Fonte

SBT News, 02/11/2026: “DNA dos pais revela destino de filho sumido há 3 anos em SC”, com informações da Polícia Científica de Santa Catarina.

Para entender como funciona o exame quando o suposto pai faleceu, veja o exame de DNA com avós e o exame de DNA com exumação. Dúvidas? Fale com a equipe pelo WhatsApp (67) 3041-0000.

Nota Técnica do IPC – Instituto de Perícias Científicas de MS, sob responsabilidade técnica de Bruno Boiko Pereira de Figueiredo (biólogo, CRBio-01 nº 54.040; engenheiro civil, CREA-MS nº 66290). Texto informativo: não substitui a orientação do seu advogado.

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